O senador Wilder Morais (PL-GO), eleito com um discurso de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comemorou nas redes sociais a aprovação do parecer ao Projeto de Lei nº 3.890/2020, que institui o Estatuto da Vítima. A proposta é de autoria do deputado federal Rui Falcão (PT-SP), um dos principais nomes do Partido dos Trabalhadores. Wilder foi o relator da matéria na Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado, que aprovou um substitutivo ao texto nesta terça-feira (14).

Em publicação nas redes sociais, o senador destacou a importância da proposta e afirmou que “a vítima não pode continuar sendo tratada como coadjuvante no processo que trata do crime que a atingiu”. Wilder também defendeu que o Estatuto representa “mais proteção, dignidade e justiça para as vítimas”, fazendo questão de celebrar a aprovação do projeto de autoria de um parlamentar do PT.

Não é a primeira vez que a atuação do senador diverge do discurso de oposição adotado durante a campanha eleitoral. Levantamento divulgado em 2025 pelo Radar do Congresso, ferramenta do portal Congresso em Foco que acompanha votações de maior relevância no Legislativo, mostrou que Wilder Morais votou alinhado ao governo Lula em 53% das matérias analisadas. O índice chamou atenção porque o parlamentar foi eleito pelo PL, partido que se apresenta como a principal força de oposição ao governo federal.

Na época, o levantamento apontou que a bancada goiana no Senado demonstrava significativa convergência com o Palácio do Planalto em diversas votações. No caso de Wilder, os números contrastaram com o discurso adotado durante a campanha de 2022, quando se apresentou como um dos principais adversários do PT em Goiás.

O Projeto de Lei 3.890/2020 reúne em um único estatuto direitos destinados às vítimas de crimes, atos infracionais, calamidades públicas, desastres e epidemias, prevendo medidas para evitar a revitimização, ampliar a assistência jurídica e social, além de criar mecanismos de proteção e acompanhamento dos processos judiciais. Após a aprovação na Comissão de Segurança Pública, a proposta seguirá para votação no Plenário do Senado em regime de urgência.