A fratura na base bolsonarista em Goiás está cada dia mais exposta. A iniciativa do senador Wilder Morais (PL) de realizar um evento em Anápolis no sábado (14/3) para concorrer com o encontro da base governista em Jaraguá serviu apenas para reforçar o esvaziamento em torno da pré-candidatura do senador ao Palácio das Esmeraldas e potencializar a divisão entre os dois grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado. O prefeito de Anápolis, Márcio Correa, o deputado federal e pré-candidato ao Senado Gustavo Gayer, e o vereador por Goiânia Major Vitor Hugo simplesmente não apareceram no encontro denominado Rota 22 - iniciativa de pré-campanha de Wilder com verniz de formação politica.
Márcio Correa não só não foi ao encontro promovido por Wilder na cidade que administra, tida como uma das mais bolsonarista de Goiás, como ainda postou um vídeo nas redes sociais comendo pastel em uma feira ao lado do vereador Vitor Hugo, seu principal aliado na legenda. Na chegada ao encontro, ao ser questionado sobre a participação do prefeito, o senador disse que o aguardava. Em vão.
O deputado Gustavo Gayer foi outra ausência notada na reunião em Anápolis. Pré-candidato ao Senado e o bolsonarista com maior protagonismo no estado, Gayer travou uma batalha com Wilder para levar o PL para a base do governador Ronaldo Caiado (PSD). Na semana anterior, em Luziânia, o deputado já havia causado constrangimento ao deixar o encontro antes do discurso de Wilder Morais, reforçando o clima de racha interno na sigla.
Com tantas ausências, apenas quatro prefeitos (contra 209 em Jaraguá) e outras lideranças de menor expressão reunidas em um pequeno salão, o Rota 22 em Anápolis só serviu para desgastar a imagem de pré-candidato de Wilder Morais. Totalmente dependente da força do bolsonarismo em Goiás, de largada a pré-candidatura do senador tropeça na rejeição interna.