O senador Vanderlan Cardoso (PSD) se reuniu nesta tarde com a vereadora Aava Santiago, presidente estadual do PSB Goiás, em um encontro que pode sinalizar mudanças significativas no tabuleiro político do estado. Em postagem nas redes sociais, Vanderlan não escondeu o tom estratégico da conversa: "Falamos de política, de eleições e do momento que Goiás atravessa. O diálogo vai continuar e as pontes já estão sendo construídas, com diferentes cenários e decisões importantes à mesa. Quem acompanha a política sabe que os próximos quatro anos começam aqui e agora".
A mensagem, publicada no Instagram do senador, acende o debate sobre um possível retorno de Vanderlan ao Partido Socialista Brasileiro, legenda pela qual construiu sua trajetória política antes de migrar para o PSD. O movimento ocorre em meio a um cenário de crescente fragilidade do senador no comando da sigla em Goiás, onde acumula desgastes com lideranças importantes e enfrenta o risco concreto de perder o controle do diretório estadual.
Nos últimos meses, a posição de Vanderlan à frente do PSD goiano tem se tornado progressivamente insustentável. O senador acumula atritos com figuras de peso dentro do partido, como o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, e o deputado federal Ismael Alexandrino. Este último protagonizou uma ruptura emblemática no final de 2025, quando deixou a presidência do diretório metropolitano e a vice-presidência do diretório estadual.
O afastamento de Alexandrino não foi apenas protocolar. Fontes próximas ao deputado revelam insatisfação profunda com decisões centralizadoras de Vanderlan e, principalmente, com a ausência de definições claras sobre qual posição o PSD goiano adotará nas eleições de 2026. Essa indefinição tem gerado desconforto entre lideranças locais, que cobram posicionamento sobre alianças e estratégias eleitorais para o pleito estadual.
A falta de unidade interna fragiliza não apenas a liderança de Vanderlan, mas coloca em xeque a própria estrutura do PSD em Goiás, que vê seu principal comandante isolado politicamente e sem força para arbitrar os rumos da sigla no estado.
A sombra de Schreiner
Se a situação interna já é delicada, o cenário externo é ainda mais desafiador para Vanderlan. No final de 2025, ganharam força especulações de que o senador perderia o comando do PSD goiano para José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e ex-deputado federal. Schreiner, que integra a base de sustentação do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), é cotado para compor a chapa de reeleição de Daniel Vilela (MDB) ao governo estadual como vice-governador.
O dirigente ruralista já abriu conversas com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sinalizando interesse em assumir o controle da sigla em Goiás e alinhá-la definitivamente ao projeto caiadista. Para Vanderlan, a ascensão de Schreiner representaria não apenas a perda do comando partidário, mas a consolidação de um PSD goiano antagônico aos seus interesses políticos.
Sem espaço na base do governador e alijado da estrutura do próprio partido, o senador se vê diante da necessidade urgente de buscar novos caminhos para viabilizar sua candidatura à reeleição em 2026.
O retorno
É nesse contexto que o encontro com Aava Santiago ganha contornos estratégicos. Vanderlan tem laços históricos com o PSB, partido pelo qual disputou duas eleições importantes: em 2014, concorreu ao governo de Goiás, e em 2016, foi candidato à prefeitura de Goiânia. Na disputa municipal, contou com o apoio decisivo do então governador Marconi Perillo (PSDB), que lhe emprestou estrutura e capital político.
Essas raízes no PSB facilitam um eventual retorno. Diferentemente de uma migração para uma sigla completamente nova, Vanderlan voltaria a uma casa conhecida, onde já construiu alianças e tem reconhecimento entre lideranças históricas do partido. A trajetória no PSB, longe de ser um capítulo esquecido, representa hoje um ativo político que pode ser reativado diante da crise no PSD.
Elo entre PT E PSDB
A presidente do PSB Goiás é peça-chave nessa articulação. Aava Santiago mantém bom trânsito tanto com o Partido dos Trabalhadores quanto com o PSDB, duas forças que devem se posicionar em oposição ao governador Ronaldo Caiado nas eleições de 2026. Essa capacidade de dialogar com campos ideologicamente distintos faz de Aava uma articuladora natural para um projeto político que una PT, PSDB e PSB em torno de candidaturas competitivas.
Para Vanderlan, essa ponte é fundamental. Isolado da base caiadista e do PSD, o senador precisa construir uma nova coalizão que lhe garanta condições de disputar a reeleição. A aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com Marconi Perillo oferece esse caminho. O ex-governador tucano, com quem Vanderlan já trabalhou em 2016, não representa um obstáculo, pelo contrário, pode ser um facilitador importante nessa reaproximação.
O arranjo político que se desenha tem lógica eleitoral clara: juntar forças de oposição ao caiadismo, criar uma frente ampla que abrigue desde o PT até o PSDB, e oferecer a Vanderlan um palanque viável para sua campanha ao Senado. Nesse cenário, o PSB funcionaria como a plataforma ideal, um partido de centro-esquerda.