Novas suspeitas envolvendo o ex-governador e candidato Marconi Perillo (PSDB) levam apreensão e acendem uma luz vermelha da coordenação de sua campanha. Elas se somam a uma sequência de problemas judiciais e investigações do passado, que lançam dúvidas sobre a viabilidade política de sua candidatura. O caso mais recente envolve o convite para prestar esclarecimentos à CPI do Jockey Club de São Paulo, que apura suspeitas na aplicação de R$ 83,6 milhões captados para a restauração da sede histórica da instituição. Sócio do clube desde 2019 e integrante do Conselho de Administração desde 2022, o candidato tucano terá de responder aos questionamentos em plena campanha pelo Palácio das Esmeraldas, quando também voltam ao debate outros casos nos quais seu nome apareceu ao longo dos últimos anos.

A investigação sobre o Jockey Club analisa recursos obtidos por duas frentes: R$ 22,4 milhões pela Lei Rouanet e R$ 61,2 milhões pelo programa municipal de Transferência do Direito de Construir (TDC). Entre os pontos sob apuração estão notas fiscais que teriam sido emitidas em duplicidade, pagamentos a empresas cuja estrutura operacional é questionada e despesas que, segundo a investigação, podem não ter relação com as obras de restauração. Também aparecem entre os gastos analisados despesas com restaurantes, vinhos, hotéis e farmácias. Uma das frentes chega a Goiás: uma construtora de Goiânia teria recebido R$ 11,2 milhões, e sua estrutura e atuação estão entre os pontos examinados pela apuração.

Outro episódio que passou a acompanhar Marconi na campanha envolve sua empresa, a MV Projetos e Consultoria. Documentos fiscais encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram que a empresa recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. As informações vieram a público em abril deste ano. Na ocasião, Marconi afirmou que recebeu os valores “de forma lícita, transparente e com dignidade como consultor de algumas empresas”.

O assunto ganhou repercussão por coincidir com o período em que o patrimônio declarado por Marconi à Justiça Eleitoral aumentou. Conforme os dados apresentados pelo próprio candidato, os bens passaram de R$ 7,3 milhões, em 2022, para R$ 11,8 milhões, em 2026, acréscimo de R$ 4,5 milhões, ou cerca de 62%. O crescimento ocorreu no intervalo em que a MV Projetos e Consultoria recebeu os pagamentos do Banco Master.

Turbulências
Os episódios atuais se somam a investigações anteriores que envolveram Marconi. Em outubro de 2018, depois de deixar o Governo de Goiás, o tucano foi preso temporariamente durante a Operação Cash Delivery, da Polícia Federal. A apuração teve origem em delações de executivos da Odebrecht e investigava suspeitas de pagamento de propina em campanhas eleitorais. Segundo a investigação, delatores apontaram pagamentos de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014. Marconi negou as acusações e deixou a prisão no dia seguinte após habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Em 2025, o nome do ex-governador voltou a ser destaque em uma apuração de irregularidades da Polícia Federal. Na Operação Panaceia, foram cumpridos mandados de busca e apreensão dentro de uma investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde entre 2012 e 2018, período que abrange seus mandatos no Governo de Goiás. A apuração incluiu medidas judiciais de bloqueio patrimonial contra investigados.

Há ainda um episódio que chegou à condenação na Justiça Eleitoral. Em 2020, Marconi foi condenado em primeira instância por falsidade ideológica eleitoral, o chamado caixa 2, relacionado à campanha ao Senado de 2006. A pena de um ano e oito meses de reclusão foi substituída por prestação de serviços comunitários e multa. Em agosto de 2021, o TRE-GO manteve a condenação, mas reconheceu a prescrição da pena em razão do tempo transcorrido desde a denúncia.

A candidatura de 2026, dessa forma, coloca Marconi novamente diante do eleitor goiano após quatro mandatos como governador e, ao mesmo tempo, traz de volta episódios que passaram pelos campos policial, judicial e parlamentar. E, desta vez, o tucano escolheu um tom diferente de todas as suas outras campanhas. Está mais agressivo e tem usado um humor que não transmite credibilidade. Em contrapartida, em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas durante a pré-campanha, Marconi Perillo segue como o mais rejeitado e com dificuldade de convencer o eleitor goiano quanto às suas pretensões eleitorais.