
DEPUTADO DO CHAPÉU PRECISA SER OUVIDO, NÃO PUNIDO
O deputado estadual Amauri Ribeiro, eleito pelo nanico PRP, mostrou que
não está para brincadeiras. Ele toma atitudes polêmicas uma atrás da
outra, mas, venhamos e convenhamos, há um sentido moral e correto em
tudo o que faz – desde o chapelão com que tomou posse (aliás, foi eleito
com ele na cabeça), a mulher no colo durante a solenidade (ela cedeu o
lugar a uma senhora de 84 anos, que o cerimonial da Assembleia deixou
em pé) e as denúncias de empreguismo e irregularidades no interior do
Poder. Estranhamente, em vez de defender uma apuração sobre os
desvios apontados por Amuri Ribeiro, já há parlamentares falando em
punição, em Conselho de Ética e outras ameaças. Que há um cheiro ruim
exalando do prédio da Alameda dos Buritis, há. Aquilo lá precisa de
exposição à luz solar, para que se promova uma boa assepsia – uma
limpeza, enfim, que foi o que justificou a eleição de Lissauer Vieira para a
presidência.
GOIÁS NA FRENTE, MAIOR ENGODO ELEITORAL DA HISTÓRIA
A lambança que os ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton fizeram
com o Goiás na Frente transformaram o programa em um dos maiores
engodos eleitorais de todos os tempos em Goiás. Os prefeitos caíram no
golpe do vigário de uma montanha de dinheiro prometida a eles para
executarem obras banais como recapeamento asfalto, reforma de prédios
e até realizar rodeios-show e festival gastronômicos, mas receberam
menos de 30% dos valores conveniados. Resultado: 312 obras paradas, R$
333 milhões em dívidas com quase 200 empreiteiras e, provando que o
ruim pode ser piorado, a chuva destruindo parte das obras inconclusas,
aliás conforme denunciou o próprio governador Ronaldo Caiado depois de
visitar algumas. O Goiás na Frente não passou de uma jogada
irresponsável para tentar viabilizar a candidatura de Zé Eliton à sua
própria sucessão, sem nenhum resultado, como se sabe.
ORDEM DE CAIADO PARA DESATIVAR RADARES FOI DESOBEDECIDA
Pouca gente ficou sabendo: apesar da ordem do governador Ronaldo
Caiado para que os radares móveis nas rodovias goianas fossem
desativados, conforme prometido na campanha, eles continuam
funcionando. As empresas que realizam o serviço em troca de uma
porcentagem das multas aplicadas alegam que só desligarão os
equipamentos quando tiverem seus custos cobertos, conforme garantia
contratual. A desobediência irritou Caiado, que chegou a citar o assunto
na reunião da semana passada com o seu secretariado, quando afirmou
que, se necessário, mandaria a Polícia Militar para garantir o cumprimento
da sua determinação. A conferir.
USO DE CHAPÉU NO PLENÁRIO JÁ FOI DECIDIDO PELO SUPREMO
A briga do deputado Amauri Ribeiro pelo direito de usar o seu chapelão no
plenário da Assembleia tem precedentes. Na Câmara Federal, um
representante da Bahia, com o curioso nome de Mão Branca, tentou
participar das sessões, em 2007, usando seu chapéu de couro e foi até o
Supremo Tribunal Federal tentando garantir esse direito. Não conseguiu.
Na época, o STF entendeu que o assunto era de competência interna do
Parlamento e lá deveria ser decidido, assim como foi: embora sem
sentido, a proibição foi hipocritamente mantida.
O QUE É “BOM” PARA GOIÁS? DEPENDE. DEPENDE...
O novo presidente da Assembleia Lissauer Vieira e deputados de oposição
como Talles Barreto, Lucas Calil ou Gustavo Sebba vivem repetindo que
não desejam criar problemas para o governo, fazendo questão de votar a
favor de todo e qualquer projeto “bom” para o Estado. Caiado não teria
com o quê se preocupar. O problema está na conceituação desse “bom”:
em princípio, dificilmente governo e oposição costumam convergir sobre o
que é “bom” para a sociedade. O que Lissauer Vieira e os deputados estão
prometendo, portanto, é sólido como fumaça no ar. Quem tem um
mínimo de inteligência sabe que o novo presidente da Assembleia e seus colegas oposicionistas estão dispostos a concordar com tudo o que eles acharem que é “bom”, mas não com o que o governador entender que é.
MAGUITO QUER SER CANDIDATO COM APROVAÇÃO DE IRIS
Não é novidade para ninguém que o ex-prefeito de Aparecida Maguito
Vilela é candidato a prefeito de Goiânia. Mas poucos sabem que ele está
se desdobrando para obter a aprovação de Iris Rezende, que, até hoje, só
disse que não pensa em reeleição, mas evitou afirmar categoricamente
que não será recandidato. O que, na prática, também não teria nenhum
efeito, já que Iris quando diz que não é, quer dizer tanto o que está
dizendo, que não é, quanto o que não está, ou seja, que é. Por isso
mesmo, Maguito tem tratado o prefeito de Goiânia com luvas de pelica:
acha que, caso quisesse impor o seu nome, conseguiria com facilidade,
mas não o fará jamais por considerar o custo de contrariar Iris elevado
demais.
FEVEREIRO SERIA O MÊS DOS “CONCHAVOS”, MAS NÃO ESTÁ SENDO
Quase a metade do mês de fevereiro já foi embora e o governador
Ronaldo Caiado ainda não deu início, como anunciou, às tratativas para
abrir espaços na administração para indicações de deputados, prefeitos e
demais políticos. Esse movimento tem relação direta com a formatação de
uma base de apoio confiável na Assembleia – que Caiado ainda não tem,
nem de longe, como se notou na derrota que engoliu na eleição para a
presidência da Casa. Vale registrar: o governador tem resistência a aceitar
recomendações para cargos de qualquer importância e já denunciou essa
prática, comum nos governos passados, como deploráveis e condenáveis
“conchavos”. O problema é que os secretários que vieram de fora, a
maioria, estão também importando suas assessorias e ocupantes de
posições de destaque nas estruturas que comandam. Os deputados veem
o que está acontecendo e não se conformam.
EM RESUMO