
TALLES BARRETO JÁ É A MAIOR VOZ DA OPOSIÇÃO EM GOIÁS
Qual é o maior nome da oposição hoje em Goiás? Não há dúvidas de que só pode ser o do deputado estadual Talles Barreto, do PSDB, a voz mais dura, na Assembleia Legislativa e fora dela, contra o governador Ronaldo Caiado. E olha que Talles Barreto só está começando a aprender o ofício de ser do contra, uma vez que toda a sua carreira parlamentar foi construída em proximidade estreita com o Palácio das Esmeraldas. Um detalhe que poucos conhecem na vida política do deputado é que ele começou a sua trajetória como presidente do PFL Jovem e já chegou a desfrutar de amizade com Caiado – mas isso é passado e bem longínquo. No momento, Talles Barreto é quem mais desperta a irritação do governador, já que não dá trégua e diariamente, seja nas sessões legislativas, seja em entrevistas à imprensa, ataca o governo sem dó nem piedade. É preciso reconhecer, contudo, que ele faz o que faz com educação e serenidade, sem jamais baixar o nível. Aparentemente, ele espera como retribuição pelo seu trabalho de oposição ser escolhido como o próximo presidente estadual do PSDB.
CAIADO RETARDA A NOMEAÇÃO DOS DIRETORES FINANCEIROS
Apesar do grande número de diretorias financeiras em secretarias e órgãos estaduais aguardando preenchimento, o governador Ronaldo Caiado não tem a menor pressa. É da sua natureza confiar pouco – ou, no limite, confiar nada – em quem quer que seja, dado ao receio de ver a biografia contaminada por erros ou desvios cometidos por eventuais auxiliares do governo e dentro desse viés o papel dos encarregados de mexer com dinheiro, na atual gestão, é o mais visado pelo Palácio das Esmeraldas e passa por permanente pente fino. É uma espécie de imagem consolidada a ideia de que diretores financeiros estão sempre envolvidos em todas as irregularidades denunciadas na administração estadual, nos últimos anos. Daí, Caiado não quer correr riscos permitindo que o seu filtro seja de alguma forma enganado e um nome ou outro venha a passar pelo rigor que ele acha que deve manter com a gestão dos recursos públicos entregues ao seu controle. A Junta Comercial está com o cargo vago até hoje. Na Goinfra, foi nomeado um coronel da Polícia Militar.
SE MANTIDA, ALIANÇA PP-MDB TERIA 4 NOMES PARA 2022
O vice-governador Lincoln Tejota procura um novo partido e corre que avalia filiar-se ao PP. Mas, se o fizer, correrá um risco e tanto. É que o governador Ronaldo Caiado já avisou que não será candidato à reeleição, devendo buscar uma candidatura a presidente da República. Caso acontece, essa hipótese abre espaço para que Tejota assuma como governador tampão e na sequência se candidate ele mesmo ao governo. Não há como afastar um governador, no cargo, da linha de sucessão. Mas o PP, que tem a intenção de manter a aliança com o MDB, tal como na eleição passada, já tem dois candidatos para 2022 – o ex-ministro Alexandre Baldy e o senador Vanderlan Cardoso, isso sem falar no relançamento de Daniel Vilela – o que dá três postulantes. Com o atual vice-governador, seriam quatro, compondo um cenário inseguro demais para todos eles. Desde já, a impressão é que, se essa previsão se confirmar, dos quatro citados o nome com maior viabilidade eleitoral seria o de Vanderlan, pela estrutura econômica pessoal e pelo recall dos muitos pleitos que disputou.
CPI DOS INCENTIVOS FISCAIS ESTÁ EXALANDO UM CHEIRO RUIM
Gerou estranheza a decisão da CPI dos Incentivos Fiscais de restringir as suas investigações ao eventual retorno que as empresas beneficiadas estariam contratualmente obrigadas a dar para compensar as isenções recebidas, em termos de geração de empregos e ampliação da capacidade produtiva. Ficou a impressão de que há interesse em apenas pressionar empresários, quando seria fundamental a averiguação da legalidade das regalias concedidas e quais autoridades governamentais foram responsáveis. Lembrete: uma CPI com o mesmo objetivo, no Mato Grosso, terminou com os deputados membros trocando acusações de cobrança de propinas para maneirar a mão nas investigações.
CONCLUSÃO DA REFORMA ADMINISTRATIVA ESTÁ PASSANDO DE HORA
Finalmente, nos próximos dias, se não houver nova postergação, o governador Ronaldo Caiado deve anunciar a conclusão da sua reforma administrativa, que tem a pretensão ousada de poupar R$ 500 milhões em gastos com a estrutura do Estado nos próximos quatro anos. Não vai ser fácil. A primeira parte da reforma foi um fiasco, com o governo no final das contas tendo que engolir a sua própria versão de que haveria alguma economia, ao admitir que o objetivo foi apenas uma adequação da máquina administrativa aos seus propósitos – isso depois que a oposição, coberta de razão, mostrou que não ocorreria nenhuma redução de despesas, como não ocorreu. Sem cortes drásticos, liquidação de órgãos inúteis ou superpostos e uma política corajosa de privatizações e concessões, mas apenas recorrendo a remanejamentos e fusões, é utopia falar em economia de R$ 500 milhões. Vamos aguardar o inteiro teor do projeto.
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