
ALYSSON LIMA E MAJOR ARAÚJO NA LISTA NEGRA DE CAIADO
O governador Ronaldo Caiado tem uma lista negra onde estão relacionados os desafetos que acumulou durante a sua vida pública. As duas adições mais recentes são os deputados estaduais Major Araújo e Alysson Lima, que Caiado não quer ver nem pintados de ouro. Major Araújo pela denúncia que fez de que o Palácio das Esmeraldas instalou um “balcão de negócios” para trocar votos na Assembleia por cargos e favores no governo. E Alysson Lima por ter requerido investigações sobre um evento festivo promovido pela família de Caiado no Palácio das Esmeraldas, que acabou gerando repercussão nacional negativa. “Mexeu com os meus, virou inimigo meu”, é o lema do governador quanto a incolumidade dos seus parentes. E ele não admite ser acusado de práticas fisiológicas e antiéticas, motivo pelo qual, aliás, não concede a audiência a deputados, sejam estaduais, sejam federais, que costumam aproveitar a oportunidade para fazer pedidos. O governo pode até atender, e o faz, mas Caiado, pessoalmente, jamais. É assim que pensa, é assim que age.
AGENDA DE JÂNIO DARROT NO PSDB É PARA PARTIDO NO PODER
O novo presidente estadual do PSDB Jânio Darrot assumiu falando em estruturar o partido para disputar as próximas eleições municipais e fazer um grande número de prefeitos – conversa típica de partido que está no poder, o que mostra que os tucanos de Goiás ainda raciocinam como se Marconi Perillo fosse o governador. Na verdade, o papel do PSDB seria se adequar ao perfil oposicionista que foi deferido ao partido pelas urnas do ano passado e aproveitar as brechas que o governador Ronaldo Caiado está abrindo com os tropeções da sua gestão, especialmente quanto ao funcionalismo. Sobre isso, Jânio Darrot não disse uma palavra. Ao aplicar a pança de dezembro no funcionalismo, Caiado permitiu que o seu jeito de tratar os servidores seja comparado diretamente com o de Marconi, que nunca atrasou o pagamento em seus governos. A diferença é abismal. Mas o PSDB parece não se importar com isso.
“RESERVA TÉCNICA DO GOVERNADOR” É UMA IDEIA POLÊMICA
A extinção de cargos prevista na reforma administrativa do governador Ronaldo Caiado poderia ter sido muito maior sem a inclusão de uma verdadeira aberração escondida nas 257 páginas do projeto: a criação de uma “reserva técnica para uso exclusivo do governador”, com o contingenciamento de 20% dos cargos comissionados para, evidentemente, a nomeação de aliados políticos, a critério do Palácio das Esmeraldas. É o tipo de dispositivo – sobre o qual ninguém no governo, nem o próprio Caiado, deu qualquer explicação até agora – que vai de encontro a qualquer racionalização administrativa e prolonga o uso da máquina estadual para atender a finalidades que não são de interesse público. Em uma das entrevistas que deu sobre a reforma, o secretário da Administração Pedro Salles afirmou que “este governo não faz conchavos políticos com o dinheiro do contribuinte”. Infelizmente, faz. E ainda tem a coragem de colocar na lei.
GUSTAVO MENDANHA EMAGRECE 30 QUILOS CORRENDO NAS RUAS
O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, do MDB, emagreceu 30 quilos e passou a seguir uma rotina diária de corridas nas ruas, acompanhado de sua assessora e crossfiteira Ana Clara Dias – um dos maiores salários da prefeitura, mesmo sem ocupar uma secretaria (ela já foi titular da pasta municipal da Comunicação). Ana Clara é especializada em marketing digital e cuida pessoalmente das redes sociais de Gustavo Mendanha, que a ouve em toda e qualquer decisão de importância, inclusive levando-a em viagens que faz a Brasília em busca dos recursos federais que deixaram de vir para Aparecida depois que Maguito Vilela terminou o seu mandato. E ela tem experiência: antes do atual prefeito, a marqueteira colaborou com o então deputado federal Daniel Vilela como uma das suas estrategistas de divulgação.

TEJOTA NÃO QUERIA, MAS ACABOU SE TORNANDO VICE DECORATIVO
Tendo repetido várias vezes, antes de tomar posse, que não se conformaria com o papel de vice-governador apenas decorativo, Lincoln Tejota acabou relegado exatamente a esse figurino e hoje só pode ser visto, quando se trata de assuntos de governo, em ocasiões solenes e cerimônias sem maior significado que não o das aparências. Está claro que ele não tem poder real e não foi sequer consultado quanto ao seu gabinete, que ganhou algumas modificações na estrutura de cargos por conta da segunda parte da reforma administrativa – ainda não aprovada pela Assembleia. Na prática, é muito difícil que um vice tenha algum tipo de função em qualquer governo e em qualquer parte do mundo. Mas é preciso admitir que, nas duas últimas gestões de Marconi Perillo, Zé Eliton marcou uma forte presença e ganhou projeção como autoridade próxima ao governador e sempre consultada e prestigiada por ele.
BASE DO GOVERNO NA ASSEMBLEIA EXISTE OU NÃO EXISTE?
Aproxima-se o dia em que a existência ou não de uma base de sustentação para o governo, na Assembleia Legislativa, passará por um teste de realidade: será a votação do projeto da segunda parte da reforma administrativa, que contém pontos polêmicos, como toda reforma, e já está tramitando entre os deputados. A matéria precisa de maioria simples, o que significa que, comparecendo todos os parlamentares ao plenário, deverá ser formada uma maioria de 21 votos. Hoje, ninguém aposta que o governador Ronaldo Caiado detém essa vantagem na Assembleia, mas o secretário de Governo Ernesto Roller trabalha dia e noite negociando com os deputados e acelerando as nomeações dos seus apadrinhados. Roller tem também usando o argumento de que o novo governo tem o direito de se estruturar conforme a sua visão administrativa e que, nesse sentido, o Legislativo não pode se transformar em empecilho. De fato, esse raciocínio é correto e deveria pesar na Assembleia.
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