O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO) defendeu, durante participação no programa Expressão Nacional, da TV Câmara, que os profissionais de saúde adotem postura "intransigente" na promoção da vacinação e não deixem escapar nenhuma oportunidade de imunizar a população.
"É preciso incutir nos profissionais de saúde a intransigência na defesa da vacinação. Não pode perder essas oportunidades. Qualquer pessoa que for na unidade de saúde, ela precisa sair de lá vacinada, se esse for o seu intuito", afirmou o parlamentar, que é médico e ex-gestor de saúde no Distrito Federal e em Goiás.
Durante o programa, Ismael Alexandrino relatou episódio vivido pela própria família para ilustrar o problema. Segundo ele, ao levar os três filhos para vacinar em um posto de saúde de Brasília, a esposa, também médica, foi orientada pelo profissional de plantão a retornar mais tarde, sob a alegação de que a unidade estava ocupada com atividades burocráticas. "Perder a oportunidade de vacinar alguém que se deslocou até a unidade é absolutamente inadmissível", criticou.
O deputado também defendeu ampliar os pontos de vacinação para além dos postos de saúde e escolas, citando academias, estádios de futebol e shows como espaços estratégicos para atingir adolescentes e jovens. "Na porta de estádio não tem banquinha para vender amendoim? A oportunidade faz a ocasião", disse Ismael.
Obrigatoriedade
Apesar do discurso em favor da vacinação ampla, Ismael Alexandrino foi categórico ao se posicionar contrário a medidas que tornem a imunização compulsória, como, por exemplo, condicionar o acesso de crianças à escola. Para ele, a estratégia mais eficaz é levar a vacina onde as pessoas estão, “sem criar barreiras que possam gerar rejeição”.
"Eu sou absolutamente defensor intransigente da vacina. Mas, em relação a essa obrigatoriedade de limitar, por exemplo, uma criança de ir à escola porque ela não vacinou, eu não sou favorável", declarou.
O parlamentar argumentou que a vacinação em locais de grande circulação é suficiente para atingir a meta de cobertura de 95% preconizada pela saúde pública, sem a necessidade de restrições que considera "antipáticas" e de aplicação desigual. "Agora, essa obrigatoriedade, eu sou muito claro em relação a isso, eu sou contrário", concluiu.
O debate ocorreu no contexto de queda nos índices de cobertura vacinal no Brasil, índice alertado durante o Dia Nacional de Imunização, que foi na semana passada no Dia 9 de Junho. Além de Ismael Alexandrino, o programa reuniu ainda o deputado Mário Heringer (PDT-MG); o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, André Bom; e o médico sanitarista da Fiocruz Brasília, Claudio Maierovitch.