MO senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) declarou publicamente, em entrevista ao Mais Goiás, ser favorável ao fim da escala 6x1 e à adoção do modelo 5x2, com dois dias de descanso semanal para os trabalhadores. "O Brasil precisa discutir modelos mais compatíveis com a realidade atual dos trabalhadores", afirmou o parlamentar. Mas os fatos recentes apontam em direção contrária.
O nome de Vanderlan figura entre os signatários da PEC 12/2026, proposta encabeçada pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apresentada no Senado um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que prevê o fim da escala 6x1. Para críticos, a coincidência não é casual: parlamentares governistas classificam a medida como uma manobra para esvaziar o avanço trabalhista e instituir, na prática, uma escala 7x0.
A PEC 12/2026 vai além de uma simples alternativa de jornada. O texto enterra o fim da escala 6×1, abre margem para jornada de até 7×0 sem garantia de descanso semanal, reduz salários, acaba com o salário mínimo mensal fixo e diminui verbas rescisórias como FGTS, férias e 13º salário.
A proposta prevê que os empregados poderão negociar a escala de trabalho com o contratante, podendo escolher entre o regime comum da CLT ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Para especialistas, porém, essa "escolha" é ilusória numa relação marcada pela desigualdade de poder entre empregado e empregador.
A população não aprovou. A consulta pública aberta pelo Senado sobre a PEC 12/2026 registrou 32.364 votos contrários e apenas 4.049 favoráveis.
Em sua entrevista à veículos de comunicação do estado, Vanderlan defendeu que o debate sobre jornada de trabalho "não pode ser politizado" e precisa ocorrer "de forma técnica e pensada no bem do trabalhador".