Propostas em tramitação no Congresso Nacional que preveem a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 têm gerado divergências entre entidades empresariais e pesquisadores sobre os efeitos da medida na economia brasileira.
Estudos de confederações patronais, como as da indústria e do comércio, apontam possíveis impactos negativos, com projeções de queda no Produto Interno Bruto (PIB), aumento de custos para empresas e repasse de preços ao consumidor. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, estima perda de R$ 76 bilhões no PIB com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Por outro lado, análises de instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam impactos econômicos mais moderados, com possibilidade de geração de empregos e aumento da atividade econômica. Segundo esses estudos, o custo adicional para as empresas seria limitado e poderia ser absorvido por parte dos setores produtivos.
Especialistas destacam que as diferenças entre as projeções decorrem de premissas distintas adotadas nos estudos, como a expectativa de ganho de produtividade e a necessidade de novas contratações. O debate também envolve a discussão sobre distribuição de renda, competitividade das empresas e efeitos no consumo.
Historicamente, mudanças na jornada de trabalho já ocorreram no país. Em 1988, a Constituição reduziu a carga semanal de 48 para 44 horas, sem impacto negativo comprovado sobre o nível de emprego, segundo estudos acadêmicos.