A crise na chapa do PSDB em Goiás ganhou um novo e delicado capítulo na reta final da campanha. Candidato a deputado federal, Felipe Cecílio abriu fogo contra o próprio correligionário Professor Alcides e trouxe para dentro da campanha tucana as acusações que envolvem o parlamentar. Em vídeo publicado nesta quinta-feira (24/9), Cecílio chamou Alcides de “abusador” e afirmou que, “se ele for reeleito, continuará impune”. Professor Alcides deixou o PL e se filiou ao PSDB após convite de Marconi Perillo.

“Cabe a você, neste momento, impedir essa barbárie. Não estou pedindo voto para mim, esse tema vai muito além da minha eleição. Estou pedindo para não votarem na pedofilia”, declarou Felipe Cecílio. O candidato afirmou ainda que foi contrário à entrada de Alcides no PSDB e à sua presença na chapa proporcional. A filiação de Professor Alcides ao PSDB ocorreu após convite do próprio Marconi Perillo, principal liderança tucana e candidato ao governo.

O fogo amigo aprofunda uma crise que já vinha esvaziando a chapa do PSDB para a Câmara dos Deputados. O partido perdeu três candidatos ao longo da disputa: Flávia Teles, Henrique Arantes e Pastor Jeferson Rodrigues. Com as desistências, Professor Alcides permaneceu como uma das principais apostas eleitorais da legenda. Agora, além das baixas acumuladas, o partido assiste a um de seus próprios candidatos pedir publicamente aos eleitores que rejeitem um dos nomes da chapa.

As acusações mencionadas por Cecílio vieram a público depois que a mãe de um adolescente procurou a polícia e relatou que o filho teria mantido relação sexual com Professor Alcides em 2021, quando tinha 13 anos. O caso ganhou dimensão policial em dezembro de 2024, com a Operação Peneira, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia. Na ocasião, três homens foram presos sob suspeita de invadir armados a casa do jovem, então com 16 anos, levar seus celulares e exigir as senhas dos aparelhos para apagar imagens e conversas que, segundo a investigação, indicariam uma relação íntima entre o adolescente e o deputado. Um dos presos era segurança de Alcides e morava na residência do parlamentar. Professor Alcides nega as acusações, classificou-as como “mentiras deslavadas” e afirmou ser vítima de perseguição e do uso político de sua orientação sexual.

O ataque de Cecílio produz ainda uma situação contraditória dentro da própria chapa. Embora peça aos eleitores que não votem em Professor Alcides, ele continua disputando a eleição pela mesma legenda. Pelo sistema proporcional, os votos dados aos dois candidatos entram no cálculo da votação total do PSDB para a Câmara.

A crise também chega diretamente à montagem política conduzida por Marconi Perillo. Professor Alcides não desembarcou no PSDB por uma movimentação isolada: deixou o PL e ingressou na legenda a convite do ex-governador, que avalizou sua filiação e apostou em seu potencial eleitoral para fortalecer a chapa proporcional.