O desempenho dos candidatos ao Governo de Goiás no debate da PUC TV, realizado no domingo (30/8), foi analisado por jornalistas e comentaristas políticos com uma conclusão predominante: Daniel Vilela (MDB), que entrou no confronto como alvo preferencial dos adversários, saiu fortalecido. Nas avaliações de Fabiana Pulcineli, da CBN, e de Marcos Marinho e Vassil Oliveira, em comentários à Rádio Bandeirantes, o candidato emedebista soube absorver os ataques, manter o controle emocional e transformar o pós-debate em extensão da própria estratégia.

Em resumo, Vassil foi direto: “Daniel Vilela ganhou o debate”. Mas, para ele, a vitória não se resume a uma resposta melhor ou a um embate específico. “A avaliação de debate não é no sentido de quem deu a melhor resposta. Isso é só uma parte da avaliação. É como as pessoas recebem. Como elas ouvem, como elas veem”, afirmou o jornalista à Rádio Bandeirantes. Na leitura do comentarista, Daniel avançou “principalmente no pós-debate”, com sua equipe assumindo rapidamente a disputa pela narrativa nas redes sociais.

Em artigo publicado após o confronto, Vassil aprofundou essa avaliação ao afirmar que Daniel “ganhou o debate na perspectiva de que foi quem mais ganhou com ele. Antes, durante e depois”. A estratégia digital também entrou na análise. Segundo o comentarista, a campanha do MDB foi rápida ao transformar momentos do debate em vídeos, memes e recortes para circulação nas redes sociais. “A estrutura que melhor funcionou, que ganhou o pós-debate, é a de Daniel Vilela”, resumiu no comentário à rádio.

A avaliação encontra eco na análise de Marcos Marinho. Professor e consultor político, ele afirmou que Daniel parecia estar “mais preparado para o que poderia acontecer naquela noite”. A expectativa de uma ofensiva pesada se confirmou, mas, segundo ele, a reação do candidato do MDB foi determinante para o resultado. “Me espantei a hora que o Marconi, já na metade do debate, jogou as pedras com toda força e o Daniel soube segurar a pancada”, afirmou.

A expressão ajuda a sintetizar uma das principais leituras feitas sobre o confronto. A estratégia de ataque de Marconi Perillo (PSDB) não teria produzido o efeito esperado porque encontrou um adversário preparado, e que não recuou. “Talvez achando que Daniel fosse amarelar, Daniel não amarelou”, avaliou Marcos. Para Vassil, o episódio também revelou um possível erro de cálculo da campanha tucana. “Não tem nada pior que frustrar a expectativa”. Segundo ele, setores da estrutura de Marconi teriam subestimado o preparo de Daniel. “E aí, num debate desse, tudo se desmascara”, completou.

Foi justamente o comportamento de Marconi que concentrou as críticas mais contundentes dos analistas. Fabiana Pulcineli avaliou, na CBN, que o ex-governador chegou ao debate com “artilharia muito pesada, atirando para todos os lados”, mas acabou transmitindo uma imagem de irritação, destempero e perda de controle. Para ela, existe “uma linha muito tênue entre você demonstrar firmeza, conteúdo, segurança” e passar uma ideia de agressividade ou insegurança.

“Eu acho que o Marconi, embora tenha tido quatro mandatos no governo, tenha participado de dezenas de debates, ele chegou nervoso”, afirmou Fabiana. Na avaliação da jornalista, o excesso de ataques e a insistência em diferentes acusações acabaram diluindo a força da ofensiva. “Às vezes, talvez, seria mais adequado que ele tivesse escolhido um tema específico, tivesse aprofundado em relação àquilo, tivesse mostrado uma fragilidade concreta do Daniel”, analisou.

O contraste de posturas acabou favorecendo Daniel, opinou Fabiana. Enquanto Marconi transmitia “uma ideia de estar muito raivoso”, o candidato do MDB respondeu aos ataques em tom mais sereno. “Ele fez as provocações, fez o embate, mas acho que passou uma imagem de muito mais tranquilidade”, disse. A jornalista resumiu sua percepção afirmando que, mesmo como principal alvo do debate, Daniel “acabou saindo incólume”.

Vassil chegou a uma conclusão semelhante. “No debate propriamente, a gente viu um Marconi mais duro, agressivo, com semblante fechado, rosto fechado o tempo inteiro, e os outros com uma leveza maior”, afirmou. Para ele, o tom escolhido pelo tucano também repercutiu negativamente nas redes sociais. “Daniel, Wilder e Luís César se comportaram num tom abaixo, mais calmo, mais tranquilo. Não entrando na pilha que Marconi entrou. E isso conta, isso impacta.”

Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) foram avaliados como candidatos que não protagonizaram grandes momentos, mas também não cometeram erros capazes de comprometer suas participações. Vassil resumiu: “Wilder e Luís César Bueno não ganharam, nem perderam”. Para Fabiana, Wilder demonstrou evolução em relação ao debate anterior, especialmente no uso do tempo, mas ainda apresentou propostas de maneira genérica e excessivamente apoiada em sua trajetória pessoal.