O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) foi chamado a prestar esclarecimentos à CPI do Jockey Club de São Paulo em meio a investigações sobre suspeitas envolvendo R$ 83,6 milhões em incentivos destinados à restauração da sede histórica da instituição. A Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal aprovou nesta terça-feira (11/8) requerimento para ouvir o tucano, que é sócio do clube desde 2019 e passou a integrar seu Conselho de Administração em 2022.

As suspeitas envolvem recursos captados entre 2018 e 2025 por duas frentes: R$ 22,4 milhões pela Lei Rouanet e R$ 61,2 milhões pelo programa municipal de Transferência do Direito de Construir (TDC). A apuração analisa possíveis irregularidades na utilização desse dinheiro, incluindo notas fiscais duplicadas, empresas supostamente sem estrutura operacional e despesas que teriam sido realizadas sem relação com as obras de restauração.

Entre os gastos sob suspeita aparecem despesas com restaurantes, vinho importado, hotéis de luxo no Rio de Janeiro e farmácias. Outra frente chama atenção pela ligação com Goiás: uma construtora sediada em Goiânia teria recebido R$ 11,2 milhões, embora, conforme as informações da investigação, não tenham sido identificados escritório físico ou funcionários da empresa.

É nesse cenário que a CPI decidiu ouvir Marconi. Segundo o requerimento apresentado pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento Jr. (PL), o ex-governador deverá prestar informações sobre questões “administrativas, financeiras e patrimoniais relacionadas à Transferência do Direito de Construir”, além das obrigações financeiras do Jockey perante o município. A comissão investiga ainda a gestão dos débitos tributários, alienação de potencial construtivo, passivos trabalhistas e eventual “desvio de finalidade ou alocação inadequada de recursos”.

Além dos R$ 83,6 milhões relacionados aos incentivos sob investigação, o Jockey enfrenta outro problema de grande dimensão financeira. Segundo a Câmara Municipal de São Paulo, a instituição é alvo de cobranças de quase R$ 1 bilhão em débitos de tributos municipais, entre eles o IPTU.

À época do início das investigações, Marconi negou qualquer envolvimento nas supostas irregularidades. O ex-governador classificou como “leviandade absurda” qualquer associação de seu nome ao caso e afirmou que não participou da escolha das empresas contratadas.