O patrimônio declarado pelo ex-governador e candidato ao Governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) cresceu R$ 4,5 milhões nos últimos quatro anos. Dados apresentados à Justiça Eleitoral mostram que o tucano passou de R$ 7,3 milhões em bens declarados em 2022 para R$ 11,8 milhões em 2026, um aumento de aproximadamente 62% no período. As informações foram divulgadas pelo Jornal Opção com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O crescimento patrimonial ocorre no mesmo intervalo em que a empresa MV Projetos e Consultoria, ligada a Marconi, recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Documentos fiscais encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam pagamentos entre 2022 e 2025. As informações vieram a público em abril deste ano e foram repercutidas por diferentes veículos de comunicação.

Marconi confirmou a prestação dos serviços. À época, sua assessoria afirmou que o ex-governador atuou na iniciativa privada de forma “lícita, transparente e com dignidade” e informou que o trabalho envolvia análises de cenários. Segundo a versão apresentada pelo tucano, não havia vínculo pessoal com dirigentes do Master nem participação na gestão da instituição. O contrato, ainda conforme sua assessoria, foi encerrado em julho de 2025.

Parte dos pagamentos ocorreu enquanto Marconi comandava nacionalmente o PSDB. Ele presidiu o partido entre novembro de 2023 e novembro de 2025, período que coincide com parte do contrato mantido por sua empresa com o Master. Os documentos fiscais divulgados não detalharam quais atividades específicas justificaram os R$ 14,5 milhões pagos à consultoria.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral neste ano, Marconi informou patrimônio total de R$ 11,8 milhões. Entre os bens estão um apartamento residencial avaliado em R$ 3,1 milhões, uma casa de R$ 2,5 milhões, R$ 875 mil em quotas da Itumbiara Empreendimentos Imobiliários e R$ 900 mil investidos na construção da Fazenda Mateus Machado, além de empréstimos. Em 2022, quando disputou o Senado, o tucano havia declarado R$ 7,3 milhões.

Os dados, por si só, não demonstram que o aumento patrimonial de R$ 4,5 milhões tenha origem nos pagamentos feitos pelo Banco Master. Eles mostram, contudo, que o crescimento dos bens declarados por Marconi ocorreu no mesmo período em que sua empresa manteve o contrato milionário de consultoria com a instituição financeira. O Banco Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central, e as movimentações envolvendo a instituição passaram a ser objeto de investigações e de apurações parlamentares.