A vereadora por Goiânia Aava Santiago (PSB) afirmou que o ex-governador Marconi Perillo utiliza o PSDB de Goiás para dar respaldo institucional a decisões políticas tomadas por ele próprio e o responsabilizou pela condução de ações que, segundo ela, resultaram na exclusão e perseguição de mulheres dentro da legenda. Em entrevista à CBN Goiânia, a parlamentar disse que o partido tem sido utilizado como instrumento para legitimar decisões do principal líder tucano no estado.
“Eu só posso dizer que ou o Marconi perdeu o comando do partido, ou ele usa o partido para se proteger das suas próprias decisões. Porque institucionalmente quem persegue mulheres é o partido. É muito triste pensar que um CPF está usando um CNPJ como o do PSDB para perseguir mulheres”, afirmou. Na mesma entrevista, Aava questionou a presença de mulheres com relevância eleitoral ao lado do ex-governador. “Quem são as mulheres eleitas com mandato e com musculatura eleitoral que estão ao lado de Marconi hoje?”, indagou.
A parlamentar também atribuiu diretamente ao ex-governador a condução das decisões do PSDB goiano. “Marconi Ferreira Perillo Júnior é o grande mentor do comportamento e das ações do PSDB goiano desde um pouquinho antes de 1998. De lá para cá, o PSDB de Goiás tem um padrão muito nítido de quem ele pede o mandato e de quem ele libera do processo judicial”, declarou.
Para sustentar a afirmação, Aava citou os casos dos ex-deputados estaduais Tião Caroço (União Brasil) e Diego Sorgatto (União Brasil), que deixaram o PSDB fora da janela partidária, em 2020, por meio de acordos que resultaram em expulsões formais, evitando processos por infidelidade partidária. Segundo ela, tratamento semelhante não foi dispensado às mulheres que romperam com o grupo político. A vereadora também mencionou episódios envolvendo a deputada federal Flávia Morais (MDB) e a ex-deputada Doutora Cristina (Solidariedade), afirmando que ambas enfrentaram medidas adotadas pelo partido após disputas políticas internas.
Ao comentar a cassação de seu mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), Aava afirmou que a desembargadora Stefane Fiúza acolheu argumentos de sua defesa fundamentados nas diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre violência política de gênero. A parlamentar informou que recorrerá da decisão ao TSE e permanecerá no exercício do mandato enquanto o recurso estiver em tramitação. Procurado, o PSDB informou que, a princípio, não divulgará nota porque ainda cabe recurso e a vereadora continua exercendo o mandato.





