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POLÍTICA

Revelações

Gravações bombásticas revelam que ex-prefeito de Campinaçu, Welinton Rodrigues, o Nenzão, manda no governo de Goiás

26/06/2019 às 14h00


POR Redação

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Da cozinha para dentro


A política como ela é. Normalmente, trazida por personagens que falam a língua do povo, demonstrando pouco traquejo. Assim, são feitas revelações que podem mudar rumos de uma história. A fala, de viva voz e espontânea, depõe, sem muita necessidade de prova. Ex-prefeito de Campinaçu, Wellinton Rodrigues, o Nenzão, é um desses personagens. Acostumado a comandar festas em sua cidade, regadas a chope, churrasco e música sertaneja, Nenzão revelou um prestígio incomum com o governador Ronaldo Caiado. E práticas políticas, consideradas pouco ortodoxas e que já causaram problema pra muita gente. Mas que são vistas com naturalidade pelo político do interior goiano.

Pra não dizer que é coisa de interior, é bom lembrar um episódio da eleição de Goiânia, em 1992. Darci Accorsi, no PT, liderava com folga a disputa contra Sandro Mabel, então no PMDB. No último debate, questionado sobre como estava sustentando a família, já que estava licenciado dos cargos de professor na universidade e de deputado na Assembleia Legislativa, Darci respondeu que tinha feito um acordo com o seu suplente, que estava dividindo o salário. “Metade para ele, metade para mim” foi a frase usada à exaustão. Mabel perdeu a eleição, mas evitou um vexame maior no segundo turno, ao garantir a militância nas ruas. Nenzão pode causar outro tipo de problema.

Em uma entrevista dada à rádio comunitária da cidade, tocada por seu grupo político, Nenzão revela que nomeia quem quer para cargos do governo na cidade. Quem quiser, é só falar com ele. Canta de galo, dizendo ser ele o autor da façanha de levar Lincoln Tejota para a vice de Caiado. Bastou falar com ele. Se gabe de ter nomeado gente no Senado, de ter sido funcionário fantasma naquela Casa legislativa e, o mais grave: garante ter um acordo com o governador para ganhar um percentual sobre liberação de verbas. Tudo legal, segundo ele. Com empresa montada e papel passado. Na velha política, uma prática que poderia ser chamada de propina. Mas que deve ter outro nome agora.

Confira alguns trechos dessa entrevista. Nenzão, por ele mesmo.

 

Jeitinho para pagar as contas:

Todo mundo sabe e isso não é segredo para ninguém que minhas despesas são caras. Eu tenho filho fazendo Medicina, eu tenho casa aqui, eu tenho apartamento em Goiânia, eu ajudo muitas pessoas (...) Se eu fosse trabalhar no Governo, que seria um cargo aí de Secretário, sobraria aí R$ 14 a R$ 15 mil. Eu não daria conta de pagar as minhas despesas. Então, o que eu fiz com o Ronaldo, Levisson? Legalmente eu tenho porcentagem sobre algumas pessoas que prestam serviços ao Governo. Eu tenho porcentagem, eu criei uma firma, emito nota e a pessoa me paga legalmente. Eu não estou fazendo lobby, nada... nada... É legalmente o que eu faço, mas é difícil uma semana que eu não vou na casa do governador.

 

Sobre o trabalho no Senado, onde foi assessor de Wilder Moraes:

Eu trabalhei de empregado uma vez só no Senado. Por que eu trabalhei lá? Porque o Wilder me usava mais para cuidar das coisas pessoais dele. O meu salário era um dos maiores do Senado, eu ganhava R$ 25 mil no Senado livre por mês que é um salário considerável, assim... e eu ia na terça com ele de manhã e na quinta-feira eu voltava.

 

Prestígio com o governador:

Se quiser que eu ligue agora para o Governador se demorar mais que três chamadas para ele atender ao telefone...

 

Nenzão faz o vice:

E liguei e falei: “Lincoln, amanhã às 8 horas vamos tomar café lá na casa do Wilder”. Ele respondeu: “O que é padrinho?”... eu falei: “Você já foi escolhido o vice”. Ai ele ligou para o pai dele. E nos reunimos às 8 horas da manhã da terça-feira na casa do Wilder. Aí ao ter a palavra o Lincoln falou: “Governador, na quinta-feira eu te dou a palavra”. Aí eu falei: “Você vai dar a palavra é amanhã por que o Marconi é muito esperto, ele vai descobrir e vai minar”. Aí o Lincoln é do PROS, o Eurípedes é o presidente do PROS, ele falou que tinha ido para Brasília falar com o Eurípedes. Eu falei: “Vai agora”. E o Leandro, que é o piloto do helicóptero, ele levou o Lincoln, já veio combinado com a Dona Cida mãe dele no lugar. Aí liguei e falei pro Ronaldo ele tinha ido pra São Paulo e falei: “Ronaldo pode chamar uma coletiva pra amanhã”. Ele respondeu: “Coletiva do que, Nenzão?”. Eu disse: “Pronto, o Lincoln é o seu vice-governador”. E ele chegou me abraçando, se emocionou muito e na quarta-feira, no outro dia pela manhã, ele chamou uma coletiva na casa do Lincoln e o Lincoln voltou no Marconi e o Marconi falou: “Isso é coisa do seu padrinho Nenzão, né?”... E ele confirmou que foi, que “foi o meu padrinho mesmo”. Então, dizer que eu não tenho crédito no governo é chover no molhado, né?

 

Campinaçu é do Nenzão:

Todos, aqui em Campinaçu, o Ciretran que está aí foi indicação minha, que o Gil tá aí tem uns 10 anos, Gil?... Tem uns dez anos que ele está aí retornou para o Ciretran... eu quero dizer também para o Hélio se ele quiser através de mim voltar eu consigo colocar ele como auxiliar para ajudar o Gil, não tenho interesse em tirar o emprego de ninguém... só por que ele foi lá sem eu e meu companheiro político é a família do Gil. Eu vou dizer um pouquinho aqui. O Cacá era, o saudoso Cacá, um dos homens mais competentes, é sobrinho da Tó a mulher do Gil. E ela largou de votar no sobrinho para votar em mim. Tem favor que paga isso, neném? Tem gratidão que paga isso? Voltei a Agrodefesa que estava sem funcionários a moça, voltei da Agrodefesa. Coloquei lá em Minaçu o Amilson Seabra, eu quem coloquei ele no cargo. Coloquei o filho dele, né? A minha nora tá trabalhando, coloquei a filha do Tiãozinho para trabalhar, o Tiãozinho pelo compromisso meu que está trabalhando já... ela já está trabalhando a Lídia. No Estado, Levisson, não tem cinco colégios de tempo integral abertos. Veio pra fechar, procura o Eliézer.

 

Prestígio de Nenzão:

Não tem um secretário de Governo do Ronaldo Caiado, que não abre as portas para mim. Eu nunca marquei uma audiência para falar com um secretário. Eu chego, bato na porta “o Nenzão que tá aí manda entrar”...