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MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

POLÍTICA

Coluna Momento Político - 23 De Novembro De 2021

23/11/2021 às 10h07


POR MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

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DANIEL VILELA ASSUME O PAPEL DE ANTAGONISTA DE MENDANHA E TEM ARGUMENTOS PARA ATACAR

O presidente estadual do MDB Daniel Vilela mudou o habitual tom diplomático e partiu para o ataque contra o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha levantando pontos óbvios da história do município: quem é responsável pelas principais obras e pela guinada que Aparecida deu na sua evolução econômica foi o seu pai, Maguito Vilela, em seus dois mandatos, e não Mendanha, que, aliás, sequer tem uma marca ou identidade para definir os seus quase cinco anos de mandato. Essa narrativa tem tudo para ser comprada pelo eleitorado aparecidense, que não só aprovou com entusiasmo as gestões de Maguito como também premiou Daniel Vilela, em 2014, com uma votação espetacular para deputado federal, com mais de 54 mil votos, na época, equivalentes a pouco mais de 30% do eleitorado – número que demonstra com clareza a ligação entre o presidente estadual emedebista e o município, pelo menos a ponto de ser ouvido, como se propõe agora, na apresentação de uma versão pouco favorável à passagem de Mendanha pela prefeitura – entendimento que está sendo fortalecido pela divulgação do Índice Firjan de Gestão Fiscal, que apontou uma queda expressiva de investimentos em Aparecida a partir do 1º governo do atual prefeito.

SEMANA DE MÁS NOTÍCIAS PARA MENDANHA INCLUI ÍNDICE FIRJAN E PL FORA DO CONTROLE

Está claro, hoje, que a movimentação do prefeito Gustavo Mendanha nos municípios está limitada às bases do deputado estadual Paulo Cezar Martins, principalmente na região do extremo sul do Estado, no entorno de Quirinópolis. Fora dessa regionalização, Mendanha não conquistou nenhum espaço, desde, inclusive, que passou a ser olhado com desconfiança pelos prefeitos do PSDB, poucos, que o receberam no início da sua mobilização de pré-campanha. O prefeito aparecidense vive um mau momento, repleto de más notícias, desde que o IFGF – Índice Firjan de Gestão Fiscal derrubou a conceituação que ele propagava como positiva para a sua gestão – os números indicam que não é. Além disso, politicamente falando, o PL está em vias de receber e filiação do presidente Jair Bolsonaro e sair da área de influência da deputada Magda Mofatto, que compõe ao lado de Paulo Cezar Martins o pouco de apoio que Mendanha conseguiu até hoje.

ELEIÇÃO PARA A OAB-GO CONSAGROU LÚCIO FLÁVIO COMO MAIOR LIDERANÇA DA ADVOCACIA

Os resultados da eleição para a Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás consolidaram o atual presidente Lúcio Flávio Paiva como a maior liderança da advocacia goiana, em todos os tempos. LF vai para nove anos de poder, a partir de agora a partir de Rafael Lara, escolhido como seu sucessor por critérios de confiança e qualificação. Os seus adversários foram esfrangalhados: Pedro Paulo Medeiros teve menos votos que na eleição passada, enquanto a dissidência representada por Rodolfo Otávio e Valentina Jungmann tiveram resultados irrisórios e não foi sequer capaz de ameaçar a vitória de Lara. O pleito para a OAB-GO desmoralizou também os institutos que insistiram em pesquisas apontando Pedro Paulo como o vencedor, como o Fortiori, por exemplo, enquanto o Serpes, em uma sequência de seis ou sete levantamentos, mostrou sempre que o resultado seria favorável a Rafael Lara, sendo mais uma vez consagrado como o melhor instituto atuando em Goiás. Pegou mal para os concorrentes.

OPOSIÇÃO PRECISA IR ALÉM DOS ATAQUES E APRESENTAR UM PROJETO ALTERNATIVO

Afora o governador Ronaldo Caiado, que por si só representa um projeto de governo, dado que a sua candidatura pode ser resumida em dar prosseguimento à gestão que implantou e em ampliar os horizontes (razão de ser de toda reeleição), os demais políticos envolvidos no debate sobre 2022 estão precisando dar mais atenção para o quesito ideias para Goiás. O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, por exemplo, apresenta-se como intérprete do “povo”, que desejaria um novo projeto para o Estado, segundo diz. Qual, ele não sabe dizer. Não é capaz nem mesmo de citar ao menos um ou dois pontos diferenciados que poderiam ser colocados pela oposição a Caiado, a quem faz uma crítica sem consistência na medida em que foca pontos que não correspondem à realidade, como afirmar que o governador não dá atenção à área social. O ex-governador Marconi Perillo, se fosse perguntado sobre alternativas para o futuro do Estado, responderia que o melhor seria algum tipo de “volta” aos seus governos, já que vive no saudosismo e na celebração do passado. A esquerda não sabe o que dizer e vai inventar um discurso às vésperas da eleição, como sempre faz em Goiás. De cabo a rabo, o que se tem hoje na política estadual um deserto de propostas e visões para os dias que virão para as goianas e os goianos, com exceção de Caiado.

IMINÊNCIA DE NOVAS OPERAÇÕES POLICIAIS EM APARECIDA CRIA TENSÃO

Existe tensão – e não é pouca - na prefeitura de Aparecida quanto a iminência de novas operações policiais à caça de corrupção em áreas sensíveis como o hospital municipal e as secretarias de Saúde e Fazenda. Há um ano, por ocasião da Operação Falso Positivo, que investigou pagamentos superfaturados de exames laboratoriais no HMAP, o secretário André Rosa (Fazenda) viveu dias de pavor, imaginando que agentes policiais chegariam a qualquer momento para prendê-lo pelo seu envolvimento na trambicagem. Veio a Operação Positivo Fase 2 e ele foi obrigado, por mandado judicial, a abrir as portas da sua casa para uma humilhante busca e apreensão e documentos. O prefeito Gustavo Mendanha também receia ser envolvido, pior ainda através de familiares – um irmão, Danilo Mendanha, é citado no inquérito da Falso Positivo. A boataria em Aparecida é monumental. Mendanha atribui essas ações policiais a perseguição política, mas a verdade é que, nas quatro ou cinco operações realizadas até agora, as provas levantadas foram consistentes. Vem mais por aí? Podem apostar que sim, leitoras e leitores.

GESTÃO FISCAL DE MENDANHA É PÍFIA E FOI DESMORALIZADA PELO ÍNDICE FIRJAN

As críticas de Daniel Vilela a Gustavo Mendanha, tendo como base o IFGF – Índice Firjan de Gestão Fiscal, remetem à divulgação de uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, semana passada, mostrando que Aparecida não vai bem quanto a sua gestão fiscal.  O município caiu no ranking nacional elaborado pela Firjan, da 26ª para 249ª posição em comparação com 2019. Também ficou demonstrado recuo significativo nos investimentos da prefeitura, de 0.8367 para 0.5367 (o índice vai de zero a 10. depois que Maguito Vilela encerrou o seu 2º mandato e Mendanha assumiu. São dados incontestáveis. Divulgada por toda a imprensa, devido a sua credibilidade, o levantamento caiu como uma bomba nos círculos próximos ao prefeito de Aparecida e levou Daniel Vilela a concluir que “Mendanha não manteve o nível de Maguito”. O emedebista ainda disse que “eu vi a justificativa dele, citando que os recursos foram destinados para enfrentar a pandemia. Todas as cidades investiram na pandemia, mas foi só Aparecida que despencou 223 posições. Tem alguma razão nisso. As grandes obras e os grandes investimentos foram planejados e executados pela gestão do meu pai. Você não encontra uma obra estruturante desta gestão. Houve por parte do Gustavo, nos últimos meses e anos, uma dispersão da essência da gestão pública, que é trabalho e foco”, completou.

EM RESUMO

  • O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha passou quase duas semanas na Europa, sem divulgar quanto custou ou quem pagou a viagem. Disse que foi buscar investimentos internacionais em tecnologia.

 

  • Na viagem que fez a Israel, no 1º mandato, Mendanha voltou apregoando a vinda de uma missão comercial do país hebraico, que nunca deu sinal de vida em Aparecida. O resultado foi igual a zero.

 

  • A se acreditar nas palavras do Major Vitor Hugo, a deputada federal Magda Mofatto perderá o controle do PL em Goiás caso o presidente Jair Bolsonaro venha a confirmar sua filiação à sigla.

 

  • O governador Ronaldo Caiado não perde uma oportunidade para “cutucar” o ex-governador Marconi Perillo. “Eu e Iris Rezende nunca mudamos de Goiás”, disse Caiado no Mutirão Iris Rezende.

 

  • As críticas de Daniel Vilela a Gustavo Mendanha, que, segundo ele, faz “uma gestão de lives e likes” acertaram em cheio e abalaram o prefeito aparecidense, que não achou um argumento para responder.

 

  • O ex-governador José Eliton perdeu mais uma: a chapa de Pedro Paulo na disputa pela OAB-GO, composta por vários advogados parceiros seus, acabou derrotada. Em Posse, terra natal de Eliton, Rafael Lara ganhou por 30 a 9.

 

  • Em tempo: Pedro Paulo teve agora cerca de mil votos a menos que em 2018, quando foi vencido por Lúcio Flávio. O mau resultado deve levá-lo a se afastar definitivamente da política classista.

 

  • O Mutirão Iris Rezende em Aparecida, na primeira quinzena de dezembro, está programado para ser maior e mais movimentado que a 1ª edição do programa, realizada no último fim de semana em Goiânia.

 

  • E a foto de Maguito Vilela na parede principal do gabinete de Gustavo Mendanha em Aparecida? Vai continuar lá ou vai ser retirada como desdobramento do rompimento de Mendanha com Daniel Vilela?