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MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

POLÍTICA

Coluna Momento Político - 05 De Outubro De 2021

05/10/2021 às 16h12


POR MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

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JÂNIO DARROT VOLTA AO CENÁRIO SUCESSÓRIO E CRIA MAIS COMPLICADORES PARA MENDANHA

O súbito retorno do empresário e ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot à cena política, reafirmando a intenção de se candidatar ao governo do Estado em 2022, complicou ainda mais os prognósticos para a oposição ao governador Ronaldo Caiado na eleição do ano que vem. Esse novo ingrediente sinaliza para a inviabilidade de um projeto político coeso contra o favoritismo de Caiado, que só aumentou depois da oficialização da aliança com o MDB – a composição tirou o oxigênio da oposição diante de um pleito em que se antecipa como difícil, beirando o impossível, cortar o caminho do atual governador para mais um mandato. O maior prejudicado pela recolocação de Jânio Darrot na corrida sucessória é o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, embora, para o futuro, não possa ser descartada um acordo entre os dois – hoje difícil diante das pesadas críticas que Darrot tem atirado a Mendanha, em quem, diz nos bastidores, não acredita e não vê substância para concorrer a um cargo tão elevado quando o de governador do Estado. Há algum tempo, o ex-prefeito de Trindade chegou a afirmar que o seu colega de Aparecida, sem a caneta na mão, não duraria uma semana na política.

OS DESDOBRAMENTOS DA FUSÃO ENTRE O DEM E PSL EM GOIÁS

A fusão do DEM com o PSL, praticamente definida e sem volta em nível nacional, ainda não foi corretamente avaliada quanto aos seus impactos em Goiás. Um desdobramento óbvio será a garantia de um extenso tempo de propaganda no horário gratuito do TRE para a campanha do governador Ronaldo Caiado, reforçado pelas contribuições dos partidos que já estão na base governista ou que ainda virão, deixando a oposição com poucos segundos para fazer o seu proselitismo eletrônico. Outra consequência se dará em relação aos três deputados estaduais que foram eleitos pelo PSL, dos quais dois, hoje, fazem oposição ferrenha a Caiado, caso do Delegado Humberto Teófilo e do Major Araújo. e de Paulo Trabalho, também oposição na Assembleia, mas nem tanto. O que os três vão fazer? É provável que pela cabeça deles passe a hipótese de se filiará legenda que o presidente Jair Bolsonaro escolher, mas isso não será garantia de que poderão disputar o pleito e se reeleger, ou seja, vai depender de quem estiver no comando da nova sigla bolsonarista em Goiás. De qualquer forma, eles deram azar e passam por um momento de incertezas que ainda vai durar muito tempo.

O DESAFIO DE ARRUMAR NOMES PARA A CHAPA DO PATRIOTA PARA O GOVERNO

A chapa que o nanico Patriota pensa em lançar para o governo do Estado, encabeçada pelo empresário e ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot, será de difícil preenchimento quanto as vagas de vice e de postulante ao Senado. Há algum tempo, Darrot fez contatos com outros partidos e se surpreendeu com a rejeição com que se deparou, o que, por algum tempo, chegou a o deixar fortemente abalado. O único que deu uma resposta formal foi o deputado federal Delegado Waldir, a quem foi oferecida a senatória – que apenas disse talvez, quem sabe, vamos ver, mais na frente a gente conversa, o que deixou o ex-prefeito trindadense desanimado. Se essa conversa acontecesse agora, Delegado Waldir com certeza responderia dispensando liminarmente a “honra”. Na verdade, não há nomes disponíveis para a chapa do ex-tucano, pelo menos por ora. E parece que não vai haver, pela debilidade da sua candidatura.

SITUAÇÃO DO ESTADO JÁ É ESTÁVEL, RRF SERÁ APENAS A CEREJA DO BOLO

Já anotei várias vezes nesta coluna, mas é bom lembrar: o governador Ronaldo Caiado vai aderir ao Regime de Recuperação Fiscal, mas independentemente disso já conquistou e desfruta de uma sólida situação financeira quanto ao caixa do Estado. O RRF será apenas a cereja de um bolo que está confeitado e de sabor agradabilíssimo: com dinheiro disponível e despesas contidas, Caiado receberá o bônus do acesso a empréstimos – para obras, evidentemente – e da suspensão ou redução em definitivo das parcelas da dívida, quer dizer, enquanto durar o regime, que pode se estender por até seis anos. Esse cenário positivo cria, para o governador, a expectativa de um segundo mandato excepcional em matéria de realizações e conquistas, em todas as frentes de obras e de políticas públicas. Uma administração, talvez, nunca vista antes em Goiás, pelos pilares em que se alicerçará, combinando a saúde fiscal do governo e a experiência do gestor.

PROLIFERAÇÃO DE CONSULTORIAS EM GOIÂNIA E APARECIDA É PREOCUPANTE

O que as prefeituras de Goiânia e Aparecida, sob Rogério Cruz e Gustavo Mendanha, respectivamente, têm em comum? Simples: a proliferação de contratos de consultorias, celebrados com dispensa de licitação ou inexigibilidade, em valores elevados, nas áreas de informática, contabilidade e financeira. Na capital, o Ministério Público está passando um pente fino na gestão de Cruz e já apontou negócios suspeitos, nessa área, com recomendação para que não sejam efetivados. Em Aparecida, nada ainda aconteceu: apesar do tamanho do caixa do município, os promotores locais parecem dormir em serviço. Mendanha, no geral, nunca foi incomodado, ao contrário do seu antecessor, Maguito Vilela, que chegou a responder a mais de 10 ações por improbidade administrativa, algumas exatamente por despesas não licitadas.

VAREJÃO DE ROGÉRIO CRUZ APEQUENA A SUA GESTÃO E REPETE PAULO GARCIA

Até hoje carente de um escopo para justificar o seu mandato sem legitimidade popular, o prefeito de Goiânia Rogério Cruz resolveu investir numa espécie de varejão de pequenas obras e realizações que não se prestam a compor uma proposta global de gestão. São intervenções geralmente administrativas, com repercussão social limitada, que evidentemente têm a sua importância, porém dentro de um universo político que corresponde a atirar para todos os lados sem atingir alvo algum. De certa forma, lembra a fracassada gestão do amargurado e tristonho Paulo Garcia, que chegou ao final com menos de 5% de aprovação – pessoalmente angustiado a ponto de sofrer um ataque cardíaco infelizmente fatal. Rogério Cruz segue pelo mesmo caminho, não quanto as suas consequências mais dramáticas, claro, porém em razão da definição pela rotina e pela falta de grandeza, apesar de comandar uma metrópole com mais de 1,5 milhão de habitantes. Depois de quase dez meses sentado na cadeia número um do Paço Municipal, ainda está longe de justificar a que veio.

EM RESUMO

  • As críticas de Flávia Teles, viúva de Maguito Vilela, ao prefeito Gustavo Mendanha despertaram preocupação no entorno do prefeito, que teme pelos desgastes caso os ataques continuem.

 

  • Quem conhece Flávia Teles sabe que ela não perdoa aqueles que considera “traidores” da memória do seu marido. Ela já e4sculhambou o prefeito Rogério Cruz e pode fazer o mesmo com Mendanha.

 

  • De resto, ninguém acredita que a campanha de 2022, pelo menos em Aparecida, deixará de discutir o tema da “deslealdade” de Mendanha em relação aos seus benfeitores Maguito e Daniel Vilela.

 

  • O Popular mostrou que, após a posse do prefeito Rogério Cruz, subiu exponencialmente o número de contratos celebrados sem licitação. O mesmo fenômeno ocorre na prefeitura de Aparecida.

 

  • Desde a sua posse, em 2017, até agora, Gustavo Mendanha já autorizou 250 dispensas ou inexigibilidade de licitação, algumas milionárias, ou seja, superando a casa dos R$ 10 milhões de reais.

 

  • Aumentou entre os amigos e aliados de Iris Rezende a preocupação com o seu estado de saúde. Já são dois meses desde o AVC e o velho cacique continua internado, sem expectativa de alta.

 

  • O ex-governador Marconi Perillo está incomodado com a falta de sinalização pública de Gustavo Mendanha em relação a uma aliança em 2022. A fase das conversas reservadas já passou.

 

  • Caiu como um presente dos céus para o governador Ronaldo Caiado a pesquisa do Instituto Mauro Borges que apontou crescimento de 4,4% para o PIB estadual no segundo trimestre deste ano.

 

  • Nos rastros de Gustavo Mendanha, o presidente estadual do MDB Daniel Vilela foi a Porangatu e promoveu um encontro de lideranças do partido muito maior que o patrocinado pelo prefeito de Aparecida.