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CIDADES

EDUCAÇÃO

Até 2030, maior parte do ensino no mundo será personalizada e online, diz especialista

99,3% das escolas brasileiras interromperam o funcionamento presencial devido a pandemia. Prefeitura de Goiânia e outras cidades do país retomam aulas presenciais, mesmo com o novo avanço da crise sanitária

19/01/2022 às 20h30


POR Redação

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O retorno das atividades presenciais já é uma realidade no país, inclusive em Goiânia, que volta nesta quarta-feira, 19. Na educação, a volta das aulas 100% presenciais foi anunciada em diversos estados do Brasil para 2022. Quadro este que se diferencia de 2020, início da pandemia, quando foi decretado a suspensão das aulas presenciais em todo país. Segundo pesquisa publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 99,3% das escolas brasileiras interromperam o funcionamento presencial devido a pandemia.

Com isso, a solução encontrada para a continuidade da educação foi através do ensino online. A educação remota foi uma alternativa utilizada em 2020 e 2021 em todo Brasil, porém com decretos diferentes em cada região. Com a utilização deste ensino por um longo período de tempo, a questão da personalização do ensino para o remoto de forma permanente e não provisória é questionada por especialistas. O mapa World Innovation Summit for Education (Wise), por exemplo, mostra que até 2030, a maior parte do ensino no mundo será personalizada e online. Uma mudança que já começou e é irreversível, segundo o educador Alfredo Freitas, Diretor de Educação e Tecnologia da universidade americana Ambra University.

Para o educador brasileiro Alfredo Freitas, estudar remotamente já está virando um hábito e que as pessoas terão dificuldade para retornar ao ensino totalmente presencial. “O mundo já se prepara para tornar o modelo híbrido de educação uma realidade mesmo após a pandemia. Nos EUA, agora em janeiro, não houve retorno ao ensino presencial nas universidades. Na Europa, gestores públicos e privados da educação já planejam modelos híbridos que permitam a continuidade do aprendizado de forma melhorada a partir da internet”, explica.

Dados recentes mostram que já são quase 10 milhões de brasileiros matriculados no ensino via internet. O impulso na modalidade de ensino via internet no Brasil, expôs o quão útil e eficaz é a metodologia e obrigou o fim imediato do preconceito com o ensino online, afirma Freitas. Regulamentado há 14 anos no Brasil, o ensino a distância superou pela primeira vez a oferta de vagas da educação presencial no país. De acordo com o Censo mais recente da Educação Superior, foram oferecidas 7,1 milhões de vagas a distância, frente a 6,3 milhões de vagas presenciais.

Em contrapartida, uma pesquisa, de 2019, do TIC Kids Online Brasil revelou que, aproximadamente, 1,8 milhões de indivíduos de 9 a 17 anos não são usuários de internet, enquanto 4,8 milhões vivem em domicílios que não possuem acesso à rede. Ou seja, o acesso ao ensino remoto também depende de questões socioeconômicas. Já uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), intitulada “O impacto da pandemia do covid-19 no desenvolvimento das crianças na pré-escola”, apontou que no primeiro ano da pandemia, crianças do ensino infantil desenvolveram um aprendizado em ritmo mais lento.

O Brasil foi o país que mais tempo ficou sem aulas presenciais nos ensinos infantil e fundamental, levando em conta membros e parceiros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo um relatório publicado em setembro de 2021. No ensino infantil, mais de 8,9 milhões de crianças de 0 a 5 anos foram atingidas pela interrupção das aulas presenciais no país. O fechamento e a suspensão das atividades também prejudicou o ensino brasileiro. Dados da Unesco confirmam que as escolas brasileiras permaneceram fechadas acima da média mundial. Conquanto, de acordo com Freitas, a pandemia diminuiu o preconceito com o ensino via internet.

O ensino superior da rede privada, por exemplo, sofreu uma queda de 8,9% nas matrículas em cursos presenciais no primeiro semestre de 2021, enquanto a modalidade via internet viu a procura subir 9,8% no mesmo período. Os dados são do Mapa do Ensino Superior no Brasil, pelo Instituto Semesp, e refletem uma tendência que se mantém desde 2016 e deve aumentar ainda mais no período pós-pandemia.

“A alta abstinência ao exame do Enem em 2021, por exemplo, pode representar que as pessoas querem a praticidade de estudar e serem avaliadas de forma online. O mundo já se prepara para ampliar a modalidade de ensino via internet e assumir o modelo educacional híbrido (online e presencial) no curto prazo. O Brasil deveria seguir essa tendência”, afirma o especialista que tem mais de 15 anos de experiência em tecnologias da educação.