PUBLI CÂMARA SENADOR CANEDO PI 4919 FULL
Logomarca
Nublado
º
min º max º
CapaJornal
Versão Impressa Leia Agora
Domingo. 11/04/2021
Facebook Twitter Instagram

CIDADES

PANDEMIA SEM CONTROLE

Aparecida chegará a 1.000 mortes pela Covid-19 ainda nesta semana

Município segue medidas flexíveis para o comércio, indústria e comércio e enfrenta explosão de casos

07/04/2021 às 13h00


POR Redação

facebook twitter whatsapp

Com UTIs lotadas e uma disparada de casos de Covid-19, Aparecida aproxima-se de uma data assustadora: o dia em que vai bater a marca de 1.000 mortos pela nova doença.

O Painel da Covid-19 da Prefeitura Municipal já apontava ontem, 6 de abril, para a ocorrência de 977 óbitos registrados até as 17 horas, prazo teórico para o fechamento diário da contabilidade macabra do coronavírus em Aparecida.

Há dúvidas sobre a exatidão dos números apresentados pelo Painel, que costuma atrasar quanto a sua atualização. Aparecida tem a maior taxa de incidência do novo coronavírus dentre os municípios com mais de 100 mil habitantes em Goiás, com aumento também no número diário de mortes (de duas por dia em dezembro para oito por dia em março), enquanto o sistema de Saúde municipal está colapsado, sem disponibilidade de leitos de UTI ou até mesmo de enfermaria para atender aos pacientes.

O escalonamento intermitente por regiões do comércio, indústria e serviços, seguido em Aparecida, não interrompe o ciclo da Covid-19, que é de 2 a 14 dias. os dados sobre as mortes em Aparecida, do dia 14 de março ao dia 6 de abril, mostram um salto de 795 para 977, em uma média diário superior a 10 vidas perdidas, conforme informações da própria prefeitura municipal.

No mesmo prazo, o número de pessoas contaminadas subiu de 49.589 para 58.000, perfazendo uma média que se aproxima de 200 casos diários. Apesar desses dados preocupantes, a prefeitura de Aparecida argumenta que o modelo de abertura escalonada do comércio, indústria e serviços teria ajudado a estabilizar o avanço da doença no município, o que não condiz com o aumento das mortes diárias na cidade – que é constante desde dezembro. E ainda pensa em suspender esse regramento, liberando totalmente as atividades econômicas não essenciais.

É por isso que crescem as dúvidas sobre o Painel da Covid-19 da prefeitura de Aparecida, que, de resto, tem dificuldades para manter transparência sobre as suas decisões, como atesta a sistema recusa da Secretaria municipal de Comunicação em responder aos questionamentos que recebe da imprensa.

Nessa linha, as atas do COE, o Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao coronavírus, criado pelo prefeito Gustavo Mendanha, são mantidas sob sigilo, se é que são feitas. A ocultação de informações é grave porque representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública, órgãos independentes, têm assento no COE e a citação desse fato é usada com frequência pelos porta-vozes da prefeitura para autenticar moralmente as decisões do Comitê.

Outro exemplo: pelos dados do Painel da Covid-19 em Goiás, coordenado pela Secretaria estadual de Saúde, Aparecida está no cenário vermelho, em situação de calamidade, exigindo medidas mais rigorosas de combate.

Já o Painel da prefeitura garante que o cenário é laranja, que indicaria condições críticas, mas não de calamidade, o que levou à adoção do polêmico e contestado modelo de escalonamento intermitente do comércio, indústria e serviços por regiões. Essa contradição – vermelho versus laranja – também alimenta as suspeições sobre a ocorrência de manipulação de informações na esfera municipal.

 

Mendanha vai flexibilizar ainda mais todo o comércio, indústria e serviços

Contrariando ainda mais ao decreto estadual de revezamento 14x14, Aparecida estuda flexibilizar e ampliar a abertura do comércio, indústria e serviços. Em reunião na tarde de ontem, 6, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do município classificou a cidade no cenário amarelo de Matriz de Risco. Nessa condição, cada macrozona fecha apenas uma vez de segunda a sexta-feira, abrem aos sábados durante a metade do dia e todas fecham aos domingos. 

Pelos dados da Secretaria estadual de Saúde, o cenário em Aparecida é vermelho e, portanto, de calamidade, justificando medidas de endurecimento para reduzir a propagação do coronavírus. No momento todo o Estado se encontra em situação de calamidade. Pela regra estadual, Goiás retorna o fechamento de atividades econômicas consideradas não-essenciais na próxima quarta-feira, 14. 

A análise do comitê, segundo o presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial da Região Leste de Aparecida de Goiânia (Acirlag), Maione Padeiro, retira os supermercados e similares do escalonamento. Bares e restaurantes com funcionamento por delivery, drive-thru e sistema pague e leve. A decisão tem previsão de começar a valer a partir da próxima segunda-feira, 12. 

O o procurador-geral de Justiça do Estado, Aylton Vechi, destacou que o gestor que não cumprir a decisão estadual vai responder com medidas judiciais. Na ocasião, ele questionou os critérios jurídicos e científicos para a adoção do escalonamento em Aparecida. “Se o resultado da análise apontar que não há base científica e jurídica para adoção desta medida, vamos implementar todas as ações jurídicas cabíveis para garantir a uniformidade do cumprimento do decreto estadual”, afirmou.

O procurador ainda disse que a competência do município se resume à adoção de medidas mais rigorosas que as estabelecidas pelo Decreto Estadual, caso ele detecte insistência em descumprimento das medidas. “Temos um decreto estadual e o município tem uma competência sim, mas de disciplinar. Onde houver falta de disciplina, o município pode adotar medidas mais rígidas, mas não deve afrouxar o que foi estabelecido pelo Governo do Estado”, aponta o promotor.